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Papo Carijó com a presidente Myrian Fortuna

Entrevista com a mandatária Carijó.

Por: Assessoria de Imprensa

31/03/2019 às 09h40 - Atualizada 04/04/2019 às 11h03

Myrian Fortuna, presidente Tupi Foot Ball Club. (foto: Junior Ayupe/Tupi FC)

 

Advogada, nutricionista e pedagoga, essas são as formações da presidente do Tupi Foot Ball Club, Myrian Fortuna. A dirigente que está em seu segundo mandato viveu acessos e descensos no comando alvinegro, time que convive desde a infância graças ao seu avô, Áureo Carneiro, que foi presidente do Tupi na década de 60 e contagiava toda a família com a paixão pelo Carijó. Na entrevista a seguir a presidente fala sobre as conquistas, os erros, próximas eleições e o objetivo para a disputa da série D do Campeonato Brasileiro.

 

Como começou sua história no Tupi e o caminho até a presidência?

Myrian Fortuna: Eu praticamente vivi Tupi desde a minha infância. Através do meu avô que vivia dentro do Tupi e chegava em casa contando as coisas do clube. Meu pai também, tinha um time amador no bairro que eu moro, por isso eu sempre gostei de futebol e sempre torcemos muito para o Tupi. Me afastei um pouco quando me casei. Com filhos pequenos e marido a gente afasta um pouco desses prazeres. Mas quando o Áureo (Fortuna, irmão e ex-presidente do Tupi) me convidou um dia, através do Omar Peres e do Alemão, para ser nutricionista dos jogadores, eu achei até que era uma brincadeira, mas era sério.  E aí eu fui trabalhar, trabalhei muito na nutrição e no atendimento aos atletas. Quando o Áureo se candidatou e veio como presidente, me convidou para continuar e ajudar em outros setores. A primeira vez que cogitaram eu ser presidente foi no dia que os conselheiros, João Pires e o Magela, começaram a me chamar de presidente e dizer ‘você é a próxima presidente, por causa do seu trabalho e dinamismo’. Depois disso o João (Pires), que era o vice do Áureo me chamou para trabalhar na sede e nessa época, além de nutricionista e coordenadora da base, eu vim com ele para “abraçar” a sede social. Quando acabou o mandato do Áureo, tragicamente o João (Pires) morre, eu fiquei muito triste com aquilo, mas outros dois conselheiros, o Magela e Maranhas, disseram que eu tinha que continuar o trabalho que vinha sendo feito. Assim me candidatei para o meu primeiro mandato e termino o segundo este ano.”

 

Neste período na presidência como foi fazer futebol com o orçamento do Tupi? 

Myriam Fortuna: Desde que eu entrei para o Tupi, junto ao Áureo, não foi fácil. Fazer futebol com pouco recurso e ainda vitorioso é uma mágica. Quando a gente trabalhava com os treinadores que viam, já de início falávamos que tínhamos “x” para o futebol e não podia passar daquilo, porque se passasse era risco. Eu me lembro que um dos maiores riscos foi o Tupi assumir disputar a série D, naquele ano que ele fomos campeões, sem qualquer recurso e acumulando situações para poder garantir uma vaga no cenário nacional, e fazer com que o Tupi fosse conhecido nacionalmente. Todo mundo acha que é fácil colocar um time em campo, ninguém sabe o que está por trás disso, o dia a dia do futebol. Todo dia ali, para você colocar o time para treinar, viajar e dar uma qualidade razoável, que o Tupi sempre deu, para poder manter esse time em campo, não é fácil. Fazer futebol não é uma receita de bolo, que no final você fala não deu certo por isto ou aquilo.

 

Uma das grandes cobranças por parte de torcedores é a “Transparência” no clube. Como você observa essa questão?

Myriam Fortuna: Temos transparência onde a gente tem que ter, porque temos muitos contratos de confidencialidade que não podemos revelar certas coisas. Eu não posso pegar um microfone e anunciar quem paga quanto, dá isso ou aquilo, não posso fazer isto. Eu entrei aqui aprendendo a ser assim, seguindo o que sempre está no contrato.

 

O Tupi fez sua pior campanha no Campeonato Mineiro, que cominou com a queda para o módulo II. Onde você acha que acertou e errou neste início de temporada?

Myrian Fortuna: No mineiro nós tentamos algumas parcerias, que não deram certo. Se eu soubesse que não daria certo, claro que não entraria. Eu não saio da minha casa pensando em fazer algo que vá dar errado. Todo mundo que estava aqui era pensando em dar certo, infelizmente não deu. Eu sei que cada campeonato é um planejamento e por mais que a gente tente fazer um planejamento correto, fechadinho, equilibrado, chega no meio dele precisa de mais um jogador ou de investir mais em determinado ponto, porque cada campeonato vai mostrando a sua competitividade. Eu fiz tudo o que foi possível fazer, sentamos para conversar, reunimos, trouxemos pessoas experientes, treinadores bons. Nós não fazemos nada pensando em dar errado, o dia a dia é planejado para acertar. Mas, infelizmente nem sempre dá certo.

 

Como está a preparação do Tupi para a disputa da série D do Brasileiro?

Myrian Fortuna: Neste momento, devido as todas as mudanças no futebol, estamos concluindo o planejando para a série D, para conseguir o acesso e que o Tupi possa continuar com calendário cheio. Eu posso ser uma sonhadora, mas eu acho que quem gosta mesmo do Tupi e quem vai a um estádio para ver o Tupi jogar, quem fala que é Galo Carijó, tinha que vir aqui abraçar essa causa, não por mim, mas pelo Tupi.

 

Dentre essas mudanças no futebol, a mais comentada foi a saída do, então diretor, Nicanor Pires e a chegado do André Luiz, como Consultor de Futebol. Como se deu esta troca?

Myrian Fortuna: Eu sempre conversava muito com o Nicanor, sempre tive muita confiança, porque ele veio para o Tupi em uma situação delicada. O clube saindo de uma parceria e ele veio, assumiu conosco, sem recurso, foi comigo atrás de vários parceiros para conseguir patrocínio e foi uma pessoa que demonstrou muita competência. Com o Nicanor nós quase subimos contra o Fortaleza, fomos Campeão Mineiro do Interior, era nítido que ele tinha conhecimento de causa. Só que com o rebaixamento da Série C, ficou uma preocupação com o que aconteceu, já que o time vinha bem, mas eu não podia ser ingrata, ele ficou comigo no momento em que o clube mais precisava, conseguiu vários jogadores emprestados a baixo custo para o Tupi, ele tinha jogo de cintura para isso. Mas, quando chegamos no meio do campeonato Mineiro, sem vencer uma partida, foi quando nós conversamos e chegamos em um consenso do Nicanor se afastar, por vários desgastes. Ninguém mandou o Nicanor embora, ouve uma conversa e um consenso a bem do Tupi. Tanto que hoje eu tenho contato com o Nicanor e ele conosco. Pelo menos da minha parte não há rancor, não há raiva, não a nada, foi sempre pensando no Tupi. Quanto ao André, ele veio através de uma das parcerias fechadas no início da temporada e já vinha acompanhando o Tupi desde o início do Campeonato Mineiro. Com a saída do Nicanor nós conversamos e ele se prontificou a ajudar o clube mantendo a parceria e assumindo como consultor de futebol.

 

Antes da partida decisiva contra o Cruzeiro, você se reuniu com alguns representantes do movimento SOS Tupi. Como foi está reunião, do ponto de vista da presidente?

Myrian Fortuna: Eu fiquei feliz, porque são poucos os que procuram o Tupi para conhecer ou ajudar. Eu acho que falei com eles a realidade, quem estava ali na reunião ouviu. Graças a Deus não ouve ofensas, eles falaram as insatisfações com a gestão, com o time e nós mostramos que fizemos o trabalho para dar certo, como das outras vezes. Quem quiser conversar comigo, se eu tiver disponibilidade e for na mesma linha que eles vieram, eu estou aberta a qualquer conversa, desde que não venha para me ofender, ameaçar ou xingar, como alguns torcedores já fizeram em campo. Na reunião falei dessa campanha de público zero, que eu acho que isso é a maior ingratidão que você pode fazer com o clube que você gosta. Até por uma questão de coerência, afinal se eu gosto de uma pessoa eu não vou isolar essa pessoa no momento que ela mais precisa. Que coerência é essa, que forma de gostar é essa, de defender, que na hora que mais precisa você não está do lado dela. Com o Tupi foi a mesma coisa. Outra pauta que eles levaram, foi a minha renúncia, falei que fico até o final do meu mandato.

 

Este é ano eleitoral no clube e qual o posicionamento e expectativa da presidente para a eleição no Tupi?

Myrian Fortuna: No momento eu estou preocupada com a série D do Brasileiro. A posição agora é buscar pessoas que queiram estar com o Tupi nesse último campeonato que eu estarei a frente. Vou decidir, vou parar para pensar, lutar por aquele que realmente vai estar para ajudar o Tupi nessa fase final, aí depois eu vou avaliar. Tenho certeza que Deus vai encaminhar meu coração para o melhor. Tenho certeza que vai dar tudo certo para o clube, eu vou torcer para isso. Que vença o melhor, que goste do Tupi, que lute por ele e, de onde eu estiver, o que eu puder fazer, vou fazer também para lutar por ele.

 

Faça um balanço da trajetória de Miriam Fortuna no Tupi.

Myrian Fortuna: Desde que eu vim para o Tupi em 2006 o que eu mais pensava era fazer com que crianças aprendessem a gostar do Tupi. Foi uma trajetória de orgulho para mim. Apesar de todas as dificuldades financeiras nós tivemos várias felicidades, Campeão Brasileiro, Campeão da Taça Minas, três vezes Campeão do Interior, conseguimos levar ao estádio mais de duas mil crianças, levamos pessoas que nunca tinham ido ao estádio, ensinamos crianças a gostar do clube e isto não tem preço.

 

Para encerar, um recado aos torcedores carijós?

Myriam Fortuna: O recado que eu deixo é que quando você torce para alguém, você torce em qualquer situação. Venha lutar pelo Tupi, para que ele não acabe, porque as dificuldades são muitas e eu peço a cada um, se você gosta mesmo dele esteja do lado e nunca contra. E as pessoas que conseguiram dirigir o clube fizeram o seu melhor, isto eu tenho certeza. Todas as pessoas que passaram aqui pelo Tupi fizeram o seu melhor, em algum momento não deram certo, tiveram que sair, terminaram a missão, mas enquanto estiveram aqui, fizeram o seu melhor para fazer do Tupi um time vitorioso.