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Tupi Football Club
"(…)E vive a glória dos imortais"

Era Maurício Baptista de Oliveira

 

Maurício Baptista de Oliveira ao fundo

Maurício Baptista de Oliveira

      Entre os anos de 1984 e 1989, o Tupi teve nas mãos do empresário Maurício Baptista de Oliveira um dos seus mais importantes momentos, se estruturando dentro e fora de campo, tendo pela primeira vez o que podemos chamar de uma gestão profissional, chegando, desta forma, perto por duas vezes de conquistar o tão sonhado título de campeão mineiro.

        Maurício Baptista de Oliveira concorreu à presidência do Tupi em 1983, incentivado por Geraldo Magela, que articulou junto ao Conselho Deliberativo do clube mudança no estatuto de forma a possibilitar a candidatura de um associado com apenas um mês de atividade e não mais de um ano. Logo, Maurício Baptista venceria a eleição de 1983 com maioria dos votos, assumindo a presidência em janeiro de 1984.

      Com o dinamismo e a percepção de um empresário experiente, Maurício Baptista, que já tinha sido atleta do clube, queria agora como presidente, fazer do Tupi um dos melhores e mais bem estruturados times, não só do Estado, mas do país. Com planos audaciosos e uma equipe de profissionais competentes, o clube passou a ter uma ideologia diferenciada de tempos passados. As obras realizadas na estrutura administrativa do clube são exemplos dessa mudança de mentalidade.

      Dentre as principais obras da gestão Maurício Baptista, estão a total revitalização do Estádio Salles Oliveira, a construção do restaurante na sede social, a reconstrução do parque aquático, além de melhorias nos campos de futebol da sede social, nas saunas, na quadra de vôlei, no campo de malha, na raia de bocha e no salão de festas. Além das obras materiais, vale destacar a infraestrutura montada para os atletas do clube, criando condições para que pudessem ter melhores desempenhos nas competições.

    Geraldo Magela Tavares, vice-presidente na ocasião, destacou que o mais importante na gestão Maurício Baptista foi o investimento no clube, valorizando seu patrimônio e sua história, mas ele se aborrece pelo fato de algumas administrações posteriores, além não terem dado continuidade ao trabalho, terem prejudicado tudo de bom que havia sido feito, levando o clube a regredir.

      Informações da época revelam que os recursos para a manutenção das atividades no clube, foram retirados dos aluguéis das vinte e uma lojas que pertenciam ao clube, situadas nas ruas José Calil Ahouagi e Benjamim Constant, e que possibilitavam uma considerável renda. O Tupi parecia achar seu rumo. Com o acesso do time profissional de futebol à primeira divisão, em 1983, tornou-se necessária uma remodelação do Estádio Salles Oliveira, para que este se tornasse mais moderno e confortável. A primeira iniciativa foi solicitar, junto a prefeitura municipal, a doação de parte da Rua Humberto de Campos para a ampliação da capacidade do estádio. Em julho de 1984, a Câmara Municipal aprova a doação e possibilita ao Tupi concretizar o projeto.

     Pensou-se em um projeto voltado para uma arquitetura moderna em concreto,  mas dificuldades financeiras impediram o processo. Decidiu-se por algo mais simples, respeitando padrões profissionais de qualidade e a partir daí Maurício Baptista passou a buscar recursos para a realização das obras. Após quatro anos, o Tupi conseguiu que o Ministério da Educação aprovasse o projeto, concedendo uma verba de 130 milhões de cruzados, em 1988. Para que estes recursos pudessem chegar ao clube, o Tupi contou com a participação ativa da Liga de Futebol de Juiz de Fora, presidida na época por Dirceu Buzinari, enviando ofício ao MEC. A remodelação do estádio teve início em julho do mesmo ano. Para concluir o projeto, em maio de 1989, Maurício Baptista doou 50 mil cruzados novos.

        Depois da remodelação, o Estádio Salles de Oliveira ostentava instalações modernas, oferecendo conforto aos torcedores e à imprensa, melhorias na iluminação e um sistema de drenagem para o gramado. O Tupi, assim, concretizava sua reestruturação. Se fora de campo o clube se tornava cada vez mais forte, dentro de campo não era diferente. A partir de 1984, com uma reorganização do departamento de futebol, esforços financeiros pessoais do então presidente para contratação de jogadores de bom nível e uma comissão técnica qualificada, fez com que o Tupi conquistasse grandes resultados. Dentre os principais, os títulos de campeão mineiro do interior nos anos 1985 e 1987, quando travou batalhas épicas diante dos times da capital, principalmente o Cruzeiro e o Atlético.

        Através de uma atitude empreendedora do empresário Maurício Baptista de Oliveira, o Tupi voltou aos tempos de glórias nos gramados de Minas e do Brasil, nos anos de 1987 e 1988. O Galo ganhou o direito de participar do Campeonato Brasileiro pela primeira vez desde sua fundação, o que seria uma constante nos anos seguintes, e o clube assumia de vez o caráter profissional. Neste período foram criadas condições para que a equipe carijó desenvolvesse um trabalho sério e de ótimo nível técnico. A presidência ainda doou um ônibus especial para levar o time aos jogos e ainda construiu uma residência para os jogadores de fora.

      A década de 80 marcou a supremacia do Tupi entre os times do interior, dentre mais um dos seus grandes feitos nesta época, ressaltando a importância da infraestrutura no desenvolvimento esportivo do clube. Essa foi a chave do sucesso. Ainda nos anos 80, nasceu uma grande rivalidade diante do Atlético Mineiro, quando a equipe juizforana ficou de 1984 a 1990, um total de dez jogos, invicta em confrontos contra o Galo da capital em jogos disputados em Juiz de Fora. Os resultados trouxeram uma grande respeitabilidade pelo clube por parte dos times de Belo Horizonte, e especialmente o Atlético.

Equipe do Tupi em 1987

Equipe do Tupi em 1987

A escrita começou em 1984, com uma vitória de virada do Tupi sobre o Atlético por 2 a 1 no Salles Oliveira, com dois gols do atacante Nequinha. O fato interessante foi que um dos gols de Nequinha nesta partida foi considerado o “Gol do Fantástico”, quadro do programa dominical noturno da Rede Globo de Televisão, que sempre escolhia o gol mais bonito da rodada do final de semana. Nascia ali também, através das mídias televisivas, uma visibilidade muito grande e a gestão da imagem passava a ser mais uma obrigação dos clubes de futebol. É importante ressaltar, que durante a gestão do Maurício Baptista de Oliveira, o clube passou por um dos seus melhores momentos, se não o melhor de todos os tempos.

Em outubro de 1988, na gestão do prefeito Tarcísio Delgado, era inaugurado o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, um estádio de grande porte, com capacidade para 35.000 espectadores, com o intuito de alavancar de vez o futebol de Juiz de Fora. Vale lembrar que o estádio foi batizado originalmente como Estádio Regional, porém teve seu nome alterado em homenagem a Mário Helênio de Lery Santos, considerado o maior radialista esportivo da cidade. Na inauguração do estádio, Tupi e Sport fizeram a partida preliminar, com vitória do Sport Club Juiz de Fora por 2 a 0. Ronaldo, jogador do Sport, foi o autor do primeiro gol no Mário Helênio. No jogo principal, o Flamengo enfrentou o Argentino Juniores, da Argentina, vencendo a partida por 2 a 1.

Os anos 80 ficaram marcados na história como uma época vitoriosa para o clube, quando o Tupi foi tratado com profissionalismo e dignidade, e os resultados foram notórios dentro de campo. Entretanto, os anos 90 proporcionariam resultados nem tão estimulantes.

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